quarta-feira, 7 de março de 2012

O sistema de educação italiano

O bloco do curso de Direito da Universtità degli Studi di Verona fica em prédios antigos no Centro da cidade. A maior parte da faculdade ocupa um antigo claustro. Há inclusive salas de aulas anexas a uma igreja. Mas não pense que o sistema de ensino italiano é antigo como sua arquitetura. E não me refiro a modernidade dos recursos digitais utilizados por professores, que também usam retroprojetores, mas um pouco mais modernos. Estou falando da liberdade do sistema de educação.


Quando cheguei na universidade para efetuar a matrícula, fiquei surpresa quando me disseram que eu poderia frequentar a disciplina que quisesse. Começa que essa escolha não é tão simples assim, porque na UCS só temos um tipo de curso de Direito. Aqui tem Laurea Magistrale in Giurisprudenza, com duração de cinco anos e mais parecido como o nosso Direito, e a Laurea in Scienze dei Servizi Giuridici, que dura três e prepara mais quem pretende trabalhar em repartições públicas. Isso quer dizer que a mesma disciplina pode ter mais ou menos créditos e pode ou não ter o conteúdo que tu precisas.
Cumprida esta etapa, fiquei ainda mais espantada quando cheguei na sala de aula e o professor apresentou o programa para os alunos frequentantes e os não-frequentantes. What? Quer dizer que se você não quiser ir a faculdade, pode cursar a disciplina da mesma forma. Basta estudar em casa e se inscrever para a semana de provas, que são três: uma em maio, outra em junho e a última em julho. Mas se tu passar na primeira, não precisa ficar até julho. Parece fácil, mas não é. Pelo número de alunos em sala de aula _ por vezes temos de sentar no chão em alguma disciplinas de início de curso _, pela forma como os estudantes italianos anotam palavra por palavra do professor e pelas bibliotecas lotadas, os exames devem ser hardcore.
A outra opção é que esse comportamento é meramente cultural, já que os estudantes europeus só estudam, pois as aulas são de manhã e de tarde em horários bem quebrados, o que praticamente impossibilita um trabalho remunerado. Vou acreditar veemente que é isso, pois estou escrevendo esse post na aula, um pecado capital, ainda mais para um estrangeiro que precisa traduzir tudo que o professor fala para depois tentar entender.
Sem contar que o Direito é muito mais difícil. Quando comento com outros estudantes estrangeiros que faço Direito, todos dizem "ma tu sei brava", no sentido de corajosa mesmo. Realmente, frequentei uma aula de Jornalismo de rádio e achei muito mais fácil.

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