O sistema de transporte italiano vai muito bem obrigado, embora o motorista italiano tenha sua lei própria de trânsito. Ainda bem que são tantos os meios de locomação, que o automóvel não se torna a maior autoridade por aqui.
Desde que cheguei em Verona, entrei em um "auto" (aqui não vi ninguém usando essa expressão colona, eles andam in macchina mesmo) só quando peguei o táxi para chegar no meu residencial. Depois disso, nunca mais. Acho que vou estranhar muito quando voltar para o Brasil. Nos primeiros dias, caminhei sem parar. A pé, levo quase uma hora para chegar na faculdade.
A segunda opção é pegar um ônibus, que custa menos do que o Visate. A maior parte dos urbanos aqui de Verona utilizam gás natural. Não sei se a fabricante é a Marcopolo, mas sei que a fábrica caxiense comercializa vários modelos sustentáveis do tipo e não sei o porquê de Caxias não contar com nenhum deles.
Em 2010, quando fui a Lima no Peru, também fiquei impressionada com o sistema de metrô de superfície, utilizando ônibus fabricados em Caxias. Na época, eles estavam testando, mas agora está consolidado. De novo, não entendo porque Caxias não copia os bons exemplos.
Mas, para mim, a melhor opção de transporte é a bicicleta. Eu comprei a minha magrela usada em Padova, cuja oferta é maior e, portanto, o preço bem menor: 25 euros. A cidade tem uma das universidades mais antigas da Itália, mas não são apenas estudantes que pedalam, nonnos e nonnas também adoram andar de bike. Na cestinha, vai de tudo. Tem gente que leva até o cachorro.
Eu decidi que não vou investir nada na minha bici, até porque colocar cestinha custa mais do que o preço que paguei por ela e também há o risco de roubo. Mas comprei uma mochila pequena para levar meus materiais nas costas. Com ajuda do meu mp3, em 15 minutos estou na aula. Chego rápido e feliz!
Em todo o canto da cidade, tem estacionamento para as magrelas. Se não tem, basta prender em um poste. Vale até grade em janela (é, no primeiro mundo também tem grade). Já ciclovias não têm tantas, não. É preciso ter muita atenção. O mesmo motorista que é exemplar na hora de parar na faixa para o pedestre atravessar não costuma dar a mesma atenção para os ciclistas. Aliás, os ciclistas recebem o mesmo tratamento dos carros, afinal aqui a bike não é lazer, é meio de transporte.
Um dos maiores problemas que enfrento diariamente são com os carros estacionados em pontos irregulares. É um mal de todo italiano, como mostra o registro do Ricardo Peterson Silveira em Milão. Os fiscais de Caxias, os amarelinhos, fariam a festa por aqui. Quem dera os motoristas ocupassem vagas de idosos, deficientes, farmácias e outras faixas amarelas.
Aqui, o italiano estaciona em qualquer lugar, qualquer lugar mesmo. Nem me impressiono mais com carro em cima da calçada, mas tem uns que, literalmente, abandonam o carro no meio da rua. Quando falo em próprias leis de trânsito, me refiro a isso.
De qualquer modo, a política de transporte italiana merece parabéns. O Dia sem Carro aqui em Verona é um exemplo. Diferentemente de Caxias e qualquer outra cidade do Brasil, quem tira o carro de casa nesse dia paga multa de 155 euros. Pelo menos, 56 foram multados no dia 20 de fevereiro.
O Dia sem Carro é uma iniciativa simbólica, mas que deixa de ser quando outras medidas são colocadas em prática, como o projeto Verona Bike. O sistema de Bike Sharing, aluguel de bicicletas, foi inaugurado no último sábado. É o mesmo sistema que já existe em grandes metrópoles, como Berlin, Barcelona e Milão.
São 250 bicicletas espalhadas em 20 pontos da cidade. A primeira meia hora é de graça, uma hora de passeio custa 50 centavos de euro e um dia inteiro sai por 2. Mas para quem não é turista e precisa usar mais tempo, o aluguel semanal custa 10 euros. Quanto você gasta por mês com Ozelame, pedágio, manutenção do carro e tudo mais? Pois é...
Isso tudo sem falar dos trens, que deve merecer um capítulo mais adiante, depois que viajar no EuroStar "submarino", de Paris até Londres. Aguardem!


Bacana as referências da COR LOCAL no texto. Extremamente didáticas.
ResponderExcluir