Vou dar uma pausa nos posts burocráticos por uma boa razão: homenagear as mulheres, mais precisamente as italianas. Não deixa de ser um texto sobre um tipo de sistema italiano, porque "le donne" daqui costumam seguir um certo padrão.
Minha professora de Direito do Trabalho e diretora do departamento de Ciências Jurídicas da Università degli Studi di Verona deu uma entrevista no Jornal L`Arena criticando as comemorações do Dia da Mulher. Para ela, só flores não bastam, ainda há muito a conquistar.
Hoje na aula, ela apresentou um panorama da evolução das leis de proteção da mulher trabalhadora. Uns absurdos como empregadores obrigando as mulheres a assinar contrato se comprometendo a pedir demissão caso fossem se casar, ato interpretado pelos patrões como pretender ter vários filhos e licenças.
Apesar de abolidas tais barbaridades, as mulheres ainda são minoria nos mais altos cargos. Mas creio que será por pouco tempo, se depender do número delas nas universidades. Pelo menos no Direito em Verona, elas dominam. São a maioria absoluta.
De estrangeiros que fazem Direito, todas são mulheres. Obviamente, a maioria alemoa. Alemanha sempre fazendo escola. Mas voltando às mulheres italianas... Bem, elas não são bonitas por natureza, como as brasileiras (do carioquês brasileirax), elas são arrumadas. Até demais, para não dizer escorregando para o brega.
Logo que cheguei no aeroporto Fiumicino, em Roma, fiquei espantada com uma mulher de vestido curto, meia-calça, salto altíssimo, batom vermelho e um casaco de pele. Pronta para uma festa às 9h da manhã ou voltando de uma? Pensei que era uma modelo, mas aí a visão começou a se multiplicar e eu entendi que é assim mesmo.
Mas, como aprendi com a carta de recomendações da minha amiga Nessa Doncatto, não podemos ficar "fissurados" em verdades absolutas e rótulos. Nem todas são assim, mas há uma boa quantidade de mulheres extremamente maquiadas arrastando peles pelas ruas italianas.
Eu particularmente adoro ficar observando as senhoras de idade. Essas sim combinam com os casacos de pele, escondendo o traje social engomadinho. Por enquanto, nenhuma delas me lembrou uma nonna italiana de avental.
Pelo menos nos centros da cidade, as nonnas esbanjam elegância. Tenho de ir logo para o interior, quero comer polenta e agnolini. Quero as nonnas que fazem as comidas, não só aquelas que lotam os cafés.
O uso da Louis Vuitton foi totalmente banalizado pra mim, aqui é tipo usar havaianas. Pior, porque aqui se você usa havaianas você é chique. De cada 10 mulheres que passam nas ruas de Verona, cinco tem uma bolsa do Luizão. E não é aquela do chinês, não! Me dei o trabalho de parar na frente para ver quantas pessoas saem com sacolas. E não precisei esperar muito para ver...
Se você usa a genérica Victor Hugo, amiga, vai se sentir comprando na Lebes aqui. Mas, de verdade, não é só pelas vestes de grife que as italianas aparentam um ar de superioridade. As jovens, pelo menos, não são de dar muito papo para as mulheres estrangeiras.
Segundo um certo amigo meu moreno entendido em mulheres loiras, que mora aqui em Verona há oito anos _ o que elimina outros suspeitos caxienses _ tem muitos italianos que não gostam de estrangeiros, porque sentem seus empregos ameaçados.
Será que algumas italianas não dão muita abertura para as brasileiras, porque não gostam de mais estrangeiras disputando também seus homens? Ainda é cedo para tirar qualquer conclusão.
De qualquer forma, a mulher italiana aparenta ser muito mais poderosa do que qualquer outra. Isso me causa admiração. É nesta hora que me orgulho de dizer que sou um pouco italiana também, para não dizer gringona mesmo.
Luizão.
ResponderExcluirLebes.
O amigo moreno sabe nadar?