segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Um mês é tudo e nada

Hoje vou responder à música "Quanto tempo demora um mês"do Biquini Cavadão. Fevereiro já está quase se despedindo e com ele fica para trás o meu primeiro mês na Itália. E uso as sábias palavras de Tim Maia para dizer que um mês é tudo e nada.



É tudo quando você olha as 500 fotos que tirou, as viagens que fez, pensa em italiano, sai na rua cumprimentando um monte de gente, e parece que já passou um ano.
É nada quando você pensa que só tem mais cinco meses pela frente e olha no mapa quantos lugares você ainda quer conhecer, mas tem de ir à faculdade, ao curso de italiano, ao trabalho, fazer compras no mercado, arrumar a casa e, principalmente, ter dinheiro.



De qualquer forma, o fuso horário não é o culpado pelo tempo passar mais rápido por aqui. É a intensidade de tudo que vivemos. Os amigos são nossa família. Os finais de semana não são de descanso, são de viagens. Até agora, venho mantendo minha invencibilidade neste quesito.



Primeiro conheci Firenze e ainda sobrou tempo para ir até Pisa. Depois engatei uma maratona de vai e volta no mesmo dia. Foi assim no carnaval de Veneza e no carnaval de Milano. Tudo de trem, tudo de bom.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Amizade, amicizia e friends em vários idiomas

Um dos maiores medos de quem faz intercâmbio é se vai encontrar amigos como os que deixou no Brasil. Se em um país novo, convivendo com culturas diferentes, é fácil se relacionar com as pessoas. Quando comentava isso no Brasil, todos diziam que eu não teria problemas para "pegar"amizade. Realmente, nem tive tempo de curtir a solidão.
Antes mesmo de sair de casa, já tinha amigos em Verona. A Vanessa Doncatto, que morou em Verona por alguns anos, já me passou alguns contatos. A Trissia Ordovás Sartori também me apresentou para um amigo que mora em uma cidade vizinha de Verona. E também tenho outros amigos meus morando na Itália.
E já conversava pelo face com a Bárbara Zottis, estudante de medicina da UCS, mas nos conhecemos pessoalmente só na hora de embarcar no aeroporto. Em poucos minutos de conversa, percebi que ali começava uma amizade para toda a vida.
O terceiro elemento eu conheci de uma forma bem inusitada. Depois de quase um dia todo de viagem, entre voos e espera em aeroportos, ainda tive de chegar na cidade e ficar passeando a pé até a hora de fazer o check-in no residence. Quando entrei no meu apartamento, atirei todas as minhas roupas na cama e fui direto testar o chuveiro...
E foi de toalha e com o quarto todo bagunçado que recebi a minha colega de apartamento Paloma Cavol Klee. Muita coincidência morar com uma gaúcha de Passo Fundo e também estudante de Direito. Não escrevo mais sobre ela, porque ela merecerá um post exclusivo nos próximos dias.


Já na primeira noite em Verona, estávamos fazendo jantinha. Foi aí que conheci outros dois amigos brasileiros, o Daniel Furlanetto e o Gilberto Oliveira, estudantes de medicina da UPF de Passo Fundo. Daí em diante, perdi as contas de quanta gente conheci. Mas aí não foram só brasileiros, apesar de não parar de chegar gente, principalmente do Sul do Brasil.


Tem os ingleses, a Bev de Newcastle, que tem cabelo azul, o Cris, que aprendeu a falar Bergamóta e Leite Quente da Dor nos Dentes, e a Maria, que é russa, mas mora me Londres e também morou em Paris. E as gregas, essas aprenderam mais os palavrões em português. Tem as turcas, que adoram fazer fotos. As mexicanas, que são as mais animadas. Mas conheci gente dos mais diversos lugares, até da Bielorússia.
A linguagem é universal aqui. Todos são estudantes, chamados de Erasmus. Portanto, ninguém fala perfeitamente, mas todo mundo se entende misturando inglês e italiano. É assim em casa também, pois também dividem o nosso apartamento duas meninas que moram em Varsóvia, Polônia: Patrycja Brzezinska e Edyta Raczka.


Sai cada pérola, mas no fim a gente se entende. Uma certa colega de quarto, que eu não vou dizer quem, precisava de um pano e foi pedir para as gurias polonesas um panino para limpar a casa.  Só que panino na Itália é pane (pão) pequeno, geralmente em forma de sanduíche. No fim, elas entenderam que não se usa pão para limpar o chão no Brasil.  

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Everybody loves Verona



Everybody knows Verona, pelo menos de ouvir falar de que a história de Romeu e Julieta se passa nesta cidade. Mas Verona não é só o ninho de amor dos casais apaixonados e atrativo para milhares de solteiras desesperadas que buscam a casa de Julieta. Verona é uma das cidades mais importantes da Itália desde o império romano.
A mansão de Julieta realmente pertenceu aos Capuleto. As duas famílias, aliás, habitaram a cidade, mas a história e os personagens são pura ficção. Tanto que as Julietas Capuleto de Verona, encontradas por historiadores, eram solteironas velhas, tinham mais de 30 (what?). Portanto, não morreram com 18. Os Montecchio teriam sido expulsos da cidade, por isso a casa de Romeu não foi encontrada. É bom lembrar que outros autores italianos já tinham contado a história de Romeu e Julieta antes de Shakespeare e que o inglês ambientou várias obras na Itália, sem ter pisado nas cidades referidas.
Em Verona também fui fisgada pelo cupido, mas me apaixonei pela história da cidade. Assim que larguei minhas malas no residencial, fui dar uma primeira volta pela cidade. Foi um choque ver tantas construções antigas. Juro que me senti em um filme. Para completar tinha neve. Estava mesmo em um filme. Mas foi só nos dias que se seguiram que consegui assimilar minha nova realidade. Antes disso, cada rua, cada sacada, cada lâmpada, cada vitrine com massas, pizzas e doces ou Armanis e Dolce & Gabbanas me hipnotizavam.
Estou aqui há 15 dias e ainda não consegui ver metade da cidade, mas o pouco que já desbravei do centro histórico me deixou satisfeita. Verona preserva ruínas romanas, castelos, pontes e construções grandiosas da família Scaligeri, arquitetura veneziana, francesa e austríaca. Tudo isso em meio a uma atmosfera toda romântica.
Tem até história bonitinha para contar a origem do nome da cidade. Verona é circundada pelo Rio Adige. Na verdade, o Adige faz um S em torno da parte central da cidade. Isso porque Adige se apaixonou por Verona e resolveu abraçá-la. Verona significaria, em algum tipo de linguagem romana, algo como VER+ONA: Você é Única. Tem um amigo que conheço, cujo nome fictício será o de Bina, que não vai gostar de saber que estou entregando a trova que ele ia passar nas mulherexxx daqui. Se serve de consolo, nenhuma delas fala portugûes e não vai ler este blog.
Mas voltando aos fatos, porque essa origem do nome está mais para outra lenda à la Romeu e Julieta, o que impressiona em Verona é como uma cidade consegue se manter como uma das mais importantes da Itália desde antes de Cristo. Uma das explicações é geográfica. Se olhar no mapa, a cidade está bem no Centro do Norte da Itália. Segunda maior cidade da região do Vêneto, de onde vieram a maioria das famílias de italianos que imigraram para a região da Serra Gaúcha, Verona é uma cidade muito industrializada. É também uma das mais poluídas. No início, pensei que era apenas uma neblina diferenciada, mas não...
Todo mundo que já conhecia Verona dizia que ela tinha muito em comum com Caxias do Sul, que a forma de falar dos veronenses lembrava o sotaque dos descendentes da Serra, que até os rostos eram parecidos. Só posso dizer que não tive dificuldades para entendê-los e que estou bem familiarizada com tudo aqui. Me sinto em casa, de verdade. Já a faccia dos italianos tem um detalhe que os diferencia bastante da maioria dos caxienses descendentes: o naso. Rinoplastia já!


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Despedida italiana

Não sabia por onde começar. Podia falar do meu sonho de viajar para a Itália, dos preparativos para a viagem e tantas outras informações mais úteis para o caro leitor deste blog. Mas não, prefiro falar da festa de despedida, porque ela traduz um pouco de tudo isso. Na sexta-feira, dia 3 de fevereiro, dois dias antes de viajar, reuni todas as pessoas mais queridas da minha vida debaixo de uma plátano na minha casa. Marthinha Caus perguntou pra mim se esse povo todo estava feliz só porque eu ia embora.

A brincadeira da Martha representa tudo o que senti ao deixar o Brasil. Minha despedida foi alegre. Por mais difícil que seja deixar do outro lado do oceano a família, o namorado, os amigos, o trabalho e tudo de mais importante que tenho, o apoio de todos me deixou tranquila. E quando coloquei o pé em Verona, em 6 de fevereiro, com a neve tocando os meus cabelos, chorei. Mas chorei de felicidade!!!!



Para quem não sabe, minha festa de despedida foi um filó italiano, festa típica de colônia mesmo. Eu fiz questão de brustolar algumas polentas para os meus convidados. A mamma, as gêmeas e seu Mugnol ajudaram muito (Juli Almeida e Suelen Mapelli também). Obrigada! De recompensa, o paitrocinador da festa acordou no outro dia com uma de suas embarcações, o pedalinho modelo cisne, afundado pelo próprio genro e seus best friends, Juan e Porthus.



O resgate do pedalinho no dia seguinte tinha tudo para dar errado, mas foi a melhor forma de eu me despedir da minha casa e das pessoas que eu amo. No fim, todo mundo caiu na água, inclusive o meu lindo cachorro, Biro Biro.